COMO SUSTENTAR O “NÃO” SEM CULPA?

No Papo com a Psicóloga de março, paramos para refletir por que é tão difícil dizer “não” para nossos filhos. Por que nos sentimos na obrigação de manter os pequenos — e os nem tão pequenos — felizes o tempo todo?

Mas afinal, o que é felicidade? Como ela é construída?

Muitas vezes imaginamos que, ao realizar todos os desejos dos nossos filhos, garantiremos que eles serão eternamente felizes — e mais: que serão gratos para sempre. Ledo engano!

A felicidade precisa ser construída diariamente, por meio do cultivo de relações saudáveis, da prática da gratidão, de bons hábitos físicos e mentais e, principalmente, da construção de um propósito de vida. Só assim desenvolvemos um senso de felicidade individual e duradoura.

Atender a todos os desejos e vontades dos filhos não produz felicidade. Pode até gerar alegrias momentâneas, mas não contribui para a construção de uma felicidade sólida para cada um.

Mas, então, como conviver com esses seres que, desde muito pequeninos, são cheios de vontades?

Primeiro, precisamos aceitar que, como pais, somos responsáveis pela formação dos seres humanos que escolhemos ter como filhos. E essa responsabilidade passa pelas interações do dia a dia, pelas regras da família e também pelas regras da sociedade. Mais do que enfrentar esses desafios, precisamos compreender os LIMITES como ATOS DE AMOR.

LIMITES não são PUNIÇÕES.
LIMITES são: segurança, organização emocional, previsibilidade, formação de autorregulação e desenvolvimento do autocontrole.

No encontro de hoje, pudemos conhecer os quatro tipos de pais descritos na literatura:

  1. Pais Autoritários (muito rígidos)
  2. Pais Permissivos (sem limites)
  3. Pais Negligentes (“tanto faz”)
  4. Pais Autoritativos (equilíbrio saudável entre firmeza e acolhimento)

E você, com qual tipo de pai ou mãe se identifica?

Na prática, ser do tipo AUTORITATIVO significa que, em vez de gritar:
“Vá guardar seus brinquedos! Já falei dez vezes!”

Podemos dizer:
“Está na hora de guardar os brinquedos. Posso te ajudar começando pelos carrinhos?”

Ou seja, os pais autoritativos continuam colocando limites e regras, mas fazem isso de maneira respeitosa, firme e colaborativa.

Quando compreendemos que os limites trazem segurança para as crianças, sentimos menos culpa diante dos choros e resmungos que inevitavelmente aparecem.

Agora, vamos pensar no que pode acontecer quando não colocamos limites:

– baixa tolerância à frustração
– dificuldade em ouvir “não”
– problemas na escola
– dificuldades nas relações interpessoais
– insegurança
– sensação de abandono

Os filhos não precisam de pais perfeitos, e sim de pais suficientemente bons.

Vamos lembrar sempre:

O limite é o amor estruturado.

Frustração não traumatiza. Abandono emocional, sim.

Pais seguros formam filhos seguros.

Dizer “não” hoje é dizer SIM para o futuro do seu filho.

Nos vemos mês que vem!

BIBLIOGRAFIA:

– Disciplina Positiva (Jane Nelsen)
– O cérebro da criança (Daniel J. Seigel)
– Educação não violenta (Elisama Santos)

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